17.11.09. Após anunciar o segundo lucro
trimestral consecutivo depois do auge da crise financeira, a Fibria,
empresa resultante da fusão entre VCP e Aracruz, afirmou que está dando
sequência ao plano de gestão do passivo financeiro e deverá manter
estáveis os investimentos programados para 2010, em relação ao aportado
em 2009.
Ao final do terceiro trimestre, a dÃvida lÃquida da Fibria
estava em 13,084 bilhões de reais, ante 13,425 bilhões de reais no
fechamento do intervalo imediatamente anterior. O elevado endividamento
da companhia é resultado de perdas com derivativos e dispêndios para
incorporação da Aracruz pela VCP.
Em teleconferência com jornalistas
para comentar o desempenho trimestral, o diretor de tesouraria e
relações com investidores da Fibria, Marcos Grodetzky, informou que, em
linha com a estratégia de gestão da dÃvida, a companhia está finalizando
duas operações de pré-pagamento de exportações no valor de 1,2 bilhão de
dólares, com prazos de 5 e 7 anos.
A operação faz parte do plano
iniciado com a venda da unidade de GuaÃba para concorrente chilena CMPC,
seguida pela emissão de 1 bilhão de dólares em bônus, permitindo a
redução da "dÃvida remanescente das operações com derivativos para menos
de 20 por cento do seu valor original", apontou a Fibria em
relatório.
"Temos recursos entrando ao longo de dezembro e janeiro, o
que vai reduzir ainda mais a alavancagem", afirmou o executivo nesta
segunda-feira.
Às 13h, as ações da VCP subiam 3,1 por cento enquanto
as da Aracruz operavam em alta de 3 por cento e o Ibovespa apontava
valorização de 1,72 por cento.
Conforme Grodetzky, a diretoria da
Fibria já encaminhou a proposta de investimentos para 2010 ao conselho
de administração, que ainda deve aprovar o orçamento. Os aportes,
contudo, devem ficar estáveis em relação a 2009, em aproximadamente 1,5
bilhão de reais. "O investimento em expansão deve cair porque em 2009
ainda havia (aportes) em Três Lagoas", acrescentou.
PREÇOS
O
executivo afirmou ainda que a combinação de melhora na demanda e
desvalorização do dólar foi determinante para os seis reajustes
consecutivos anunciados para a celulose neste ano, porém não adiantou se
há negociações para novo aumento.
"Não temos notÃcia de novo
reajuste", comentou. Em novembro, entrou em vigor o sexto aumento de
preços, que elevou a 700 dólares por tonelada a cotação da celulose de
fibra curta no mercado europeu.
A Fibria registrou no terceiro
trimestre deste ano seu segundo lucro consecutivo, na esteira do impacto
positivo do câmbio expresso na linha financeira e da contÃnua melhora na
demanda e nos preços da celulose.
O perÃodo também foi marcado por
recorde de produção, com 1,4 milhão de toneladas.
A companhia
registrou lucro de 181 milhões de reais no terceiro trimestre,
revertendo perda de 586 milhões de reais um ano antes, influenciado
principalmente pelo efeito da valorização do real, de cerca de 10 por
cento no perÃodo, sobre a dÃvida. Isso gerou uma receita financeira com
variação cambial de 875 milhões de reais.
O Ebitda da Fibria, maior
produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, totalizou 426
milhões de reais, frente a 498 milhões de reais no mesmo perÃodo de
2008.
A receita lÃquida ficou em 1,402 bilhão de reais, em comparação
a 1,407 bilhão de reais entre julho e setembro do ano
passado.
Conforme Grodetzky, a queda no volume comercializado de celulose na comparação com o segundo trimestre, para 1,276 milhão de toneladas, deveu-se à postergação do embarque de 112 mil toneladas da matéria-prima, para o último trimestre, em razão da uniformização de práticas de VCP e Aracruz.
Fuente: O Globo





