11.11.09. O grupo Portucel-Soporcel está a ultimar as negociações com o Governo
moçambicano para adquirir 200 mil hectares de terrenos (equivalente à
área de 200 mil estádios de futebol) para plantar eucaliptos, junto dos
quais irá edificar também uma fábrica de pasta de papel.
Segundo afirmou ao PÚBLICO a primeira-ministra de Moçambique, Luísa
Dias Diogo, já foram localizadas terras que preenchem cerca de dois
terços das necessidades da empresa portuguesa nas províncias de Manica
e da Zambézia, a norte de Maputo.
A
governante, que falou ao PÚBLICO à margem do encontro Global China
Business, que decorreu ontem num hotel em Lisboa, afirmou que está a
ser discutida a localização da fábrica de papel. "Tem de estar perto de
um porto", sublinhou. Se a opção for Manica, junto à fronteira com o
Zimbabwe, a opção mais lógica é o porto da cidade da Beira. Caso seja a
Zambézia, terá de se avançar com a viabilização da linha férrea até
Nacala, mais a norte (perto de Cabo Delgado).
Numa fase
posterior está também planeada a construção de uma fábrica de papel,
investimento que surge no âmbito do processo de expansão e
internacionalização da Portucel.
Contactada a empresa, fonte
oficial afirmou apenas que "o grupo prossegue o processo de análise das
possibilidades de expansão internacional na América Latina e África que
implicam investimentos muito exigentes, tanto do ponto de vista
financeiro como técnico, que requerem um conjunto vasto e complexo de
condições que garantam a sua exequibilidade".
O primeiro passo
já tinha sido dado em Agosto do ano passado, altura em que a Portucel
comunicou a celebração de um acordo de princípio com o Governo de
Moçambique. A ideia, segundo afirmou a empresa, era avançar com uma
unidade fabril de pasta cuja capacidade de produção nunca seria
inferior a um milhão de toneladas por ano.
Para já, conforme
constatou Luísa Diogo, falta ainda perceber qual é o tipo de eucalipto
mais produtivo nas terras moçambicanas para fazer a pasta. Depois, e
face à dimensão do eucaliptal, há que ter em conta as comunidades
envolventes de modo a que não seja muito afectadas e quais os
benefícios económicos em aspectos como a formação e possibilidade de a
empresa fazer outsourcing de algumas actividades.
Na
segunda-feira, Luísa Diogo visitou a nova fábrica de papel da Portucel
em Setúbal, inaugurada oficialmente no dia 6. A fábrica, que
representou um investimento de 550 milhões de euros por parte da
empresa detida por Pedro Queiroz Pereira, tem uma capacidade máxima de
500 mil toneladas por ano.
Fuente: P Público




