13.11.09. Seguindo um movimento global, os preços de celulose na
América Latina continuaram a subir em outubro. De acordo com fontes
ouvidas pela RISI, os níveis de preço da celulose branqueada de
eucalipto (fibra curta) estavam US$40-50/tonelada mais altos em outubro
em relação a setembro, puxados pela forte demanda do mercado de papel
para fins sanitários.
Um contato chileno disse que, em outubro,
os preços da celulose fibra curta e fibra longa na América Latina
estavam respectivamente US$50/tonelada e US$30/tonelada mais altos do
que no mês anterior “já que a demanda por celulose se encontra muito
ativa”. RISI apurou que a demanda de papel para fins sanitários está
forte também na Argentina, o que tem estimulado o consumo de celulose e,
consequentemente, o aumento de preços.
“Ajustamos o preço de
celulose de eucalipto em toda a América Latina em outubro, refletindo a
alta de preços implementada na Europa no mês anterior”, um produtor
afirmou. De acordo com a pesquisa mensal da RISI, porém, os preços de
celulose branqueada de eucalipto em outubro de 2009 ainda ficaram cerca
de 30% abaixo dos níveis praticados há um ano.
Uma fonte na Argentina
comentou que os preços da celulose de fibra longa aumentaram
US$50-60/tonelada em outubro. Outro contato no Brasil mencionou que está
importando celulose de fibra longa de produtores na América Latina por
preços US$30-40/tonelada mais altos se comparados aos níveis de
setembro. “A oferta de celulose de fibra longa está restrita no momento,
já que os produtores, principalmente os chilenos, estão exportando
maiores volumes para a Ásia”, uma fonte destacou.
No México, os
níveis de preço de celulose têm mostrado uma trajetória crescente
também. Contatos locais disseram a RISI que os preços de celulose de
fibra longa subiram US$40/tonelada entre setembro e outubro enquanto os
embarques de celulose permaneceram estáveis. No período, os preços de
celulose de fibra curta também sofreram aumento da ordem de
US$30-40/tonelada.
Previsões
As perspectivas para o mercado
latino-americano são boas e, em curto prazo, o cenário promete ser muito
melhor, de acordo com as fontes da RISI. “Há clientes que não estavam
comprando nada meses atrás e, de repente, começaram a adquirir
celulose,” um produtor afirmou. “A oferta de celulose está menor agora e
aqueles que não tinham contratos de compra estão sofrendo já que os
produtores não dispõem de volumes suficientes para atender vendas
esporádicas,” o contato completou.
São esperadas novas altas de preço
de celulose ao longo de novembro e dezembro, segundo os contatos.
“Provavelmente, os preços vão subir de novo este mês nos mercados da
América Latina seguindo uma tendência de aumento de preços mundial
anunciada para outubro. E se os preços aumentarem em novembro em todo o
mundo, uma nova alta de preços deverá ser realizada na América Latina em
dezembro,” uma fonte disse.
De acordo com um comprador, a Fibria e a
Suzano estudam aumentar o preço de celulose de eucalipto em
US$50/tonelada em dezembro devido à alta demanda e à desvalorização do
dólar. Outro contato disse que os preços podem ser ajustados em mais
US$40-50/tonelada no Brasil e em outros mercados da América Latina.
China em foco
A China é um importante, mas obscuro fator influenciador da demanda de celulose. Alguns especialistas acreditam que a região continuará a crescer fortemente, ditando o consumo de celulose em nível global, uma vez que tradicionalmente importa grandes volumes para abastecer as novas capacidades de fábricas de papel de imprimir e escrever e de papel para fins sanitários que irão entrar em operação nos próximos anos.
“O futuro das fábricas não-integradas de papel na
China é duvidoso, uma vez que essas plantas estão se estocando. É muito
difícil prever como seus estoques estarão no início de 2010 e uma queda
nos níveis chineses de consumo de celulose no próximo ano pode gerar uma
nova queda de preços como a que tivemos no primeiro semestre de 2009,”
um analista de mercado disse a RISI.
Dados do Global Trade
Information Services (GTIS) mostram que de janeiro a agosto deste ano a
China importou 5,1 milhões de toneladas de celulose de fibra curta
branqueada, valor 47.5% inferior em relação ao mesmo período do ano
anterior. Do Brasil, as importações chinesas de celulose branqueada de
fibra curta aumentaram 71,9% para 1,9 milhão de toneladas.
A
Indonésia é o segundo maior fornecedor desse tipo de celulose para a
China. De acordo com o GTIS, as importações chinesas de celulose de
fibra curta branqueada da Indonésia aumentaram 31.9% para 1,3 milhões de
toneladas de janeiro a agosto deste ano contra o mesmo período de 2008.
Já o Chile, terceiro maior fornecedor da China, exportou para o país
561,587 toneladas, volume 21% superior ao praticado entre janeiro e
agosto de 2008.
Enquanto isso, o Uruguai exportou 435,942 toneladas,
quatro vezes mais que no ano anterior; o que reflete o início das
operações da fábrica de celulose da Botnia, inaugurada no final de 2007.
Os dados do GTIS mostram ainda que os embarques de celulose da Rússia
para a China cresceram 12% para 219,196 toneladas.
As importações
chinesas de celulose branqueada de fibra longa também cresceram 31.7%
para 4,5 milhões de toneladas no consolidado até agosto deste ano em
comparação ao mesmo período de 2008. O segundo maior fornecedor foi o
Chile que, no período, destinou 998,687 toneladas de celulose branqueada
de fibra longa à China, um crescimento de 73,8%.
Paralelamente, os Estados Unidos enviaram 819,752 toneladas de celulose branqueada de fibra longa à China, volume 23,1% superior ao praticado até agosto de 2008. Já a Rússia exportou 594,986 toneladas ou 13.9% menos que no período anterior enquanto que os embarques da Finlândia aumentaram 26,2% para 284,678 toneladas.
Fuente: Celulose Online








