14.10.09. O mercado
externo começou a melhorar para os produtos industrializados
brasileiros, que sofrem com a queda na rentabilidade provocada pelo
câmbio. Entre julho e setembro, o indicador de nível de demanda externa
apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu quase 22% e deu uma
injeção de otimismo nos fabricantes de celulose, produtos químicos e
metalurgia. Esses três setores, além da indústria mecânica e de
material de transporte, responderam por mais de 90% do aumento da
demanda externa que foi captada pelas indústrias.
"Essa mudança
de rota da procura externa pelos industrializados, especialmente os
produtos intermediários, reflete os primeiros sinais de recuperação da
economia mundial, depois do ajuste de estoques", afirma o coordenador
da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV, Aloisio
Campelo. Ele ressalta que a melhora na procura aconteceu apesar da
valorização do real em relação dólar, que foi de 9,76% no terceiro
trimestre. A pesquisa da FGV consulta mensalmente 1.125 indústrias.
Dados
dessazonalizados das exportações de setembro, elaborados pelo Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), mostram que as
vendas de manufaturados cresceram 1,7%, após terem aumentado 3,9% em
agosto. Segundo o Iedi, é uma "possível indicação de que a retomada da
economia mundial está ajudando as vendas externas de manufaturas a
recuperar em parte o grande declínio que tiveram após a crise".
A
reação foi sentida, por exemplo, pela Klabin nas exportações de cartões
utilizados para embalagens da indústria de alimentos, bebidas,
congelados e produtos de higiene e limpeza. "Tivemos uma reação
importante nas exportações para os Estados Unidos desde abril e, a
partir de junho, para a Europa. Foi uma surpresa", disse o diretor
comercial de cartões da empresa, Edgard Avezum.
As exportações
de cartões da companhia para a Europa já cresceram 90% em volume e
valor. Para os EUA, dobraram na comparação com o mesmo período de 2008,
conta o executivo. A expectativa inicial, diz ele, era de que a
retomada das vendas para os EUA ocorresse no segundo semestre deste ano
e só em 2010 para a Europa. A reação veio mais cedo e foi puxada pelo
crescimento do consumo de alimentos e bebidas nos países desenvolvidos.
Além disso, ele observa que, com a crise, fábricas de cartões do
Hemisfério Norte fecharam as portas. Com isso, a empresa conquistou
novos compradores. "Tivemos um aumento de 35% no número de clientes
neste ano."
A presidente executiva da Associação Brasileira de
Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, diz que as
exportações de celulose em volume cresceram 12,8% entre janeiro e
agosto em relação a igual período de 2008. Em agosto, a alta nas
quantidades exportadas de celulose foi de 21,8% ante o mesmo mês do ano
passado.
"De junho para cá sentimos uma recuperação crescente
e constante no nível das exportações em volume, puxada pelas compras da
China, que passou a ser o nosso principal cliente no lugar da Europa."
Segundo Elizabeth, apesar do aumento do volume e da recuperação dos
preços da celulose, a receita de exportação entre janeiro e agosto caiu
22% e devem encerrar o ano com retração.
A indústria química
também captou uma recuperação dos volumes exportados e uma retomada dos
preços. "Desde julho estamos sentindo crescimento nas exportações,
depois do fundo poço que foi atingido em janeiro", afirma o gerente de
comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química
(Abiquim), Renato Endres. De janeiro a agosto, as exportações de
produtos químicos cresceram 15,6% em volumes e caíram 19,5% em valor.
Nas
contas da entidade, as exportações de produtos químicos deverão fechar
o ano em US$ 12 bilhões, a mesma cifra de 2008. Até agosto as vendas
externas somam US$ 6,4 bilhões. "Isso significa que teremos uma
recuperação forte no último trimestre", prevê Endres.
A Vitopel,
maior fabricante de embalagens plásticas flexíveis da América Latina,
ampliou em 25% as exportações no terceiro trimestre em relação ao
segundo e trabalha a plena capacidade nas fábricas. Os preços
internacionais das embalagens plásticas subiram cerca de 6% nos últimos
dois meses.
"Os clientes voltaram a comprar para recompor os
estoques que ficaram defasados", afirma o presidente da empresa, José
Ricardo Roriz Coelho. O maior comprador é os EUA.
Fonte:Estado de SP. Adaptado pelo Celulose Online.








