21.10.09. Administrador
da Europac garante que negócio da Portucel/Viana é a "menina dos olhos"
do grupo espanhol que, em Portugal, controla várias unidades de
recolha, reciclagem e produção
Aos 56 anos, José Miguel Isidro
é o mais velho de um total de dez irmãos, assumindo-se como patriarca
da família Rincón, que construiu o actual império da Europac. Só em
Portugal, o grupo espanhol controla várias unidades de recolha,
reciclagem e produção de papel espalhadas um pouco por todo o País, a
que se somam as unidades espanholas e, mais recentemente, a aposta na
aquisição de um grupo em França. Só em 2008, o grupo espanhol,
que teve a sua génese num negócio de família, gerou um volume de
negócios de 424,7 milhões de euros, sendo que a só a Portucel/Viana
contribuiu com 167,7 milhões (produção de papel) e 54,2 milhões
(produção de electricidade). No entanto, em ano de crise, os
efeitos também foram sentidos no grupo. "No primeiro semestre de 2009,
os nossos resultados sofreram de forma evidente", confessa o empresário
espanhol, reconhecendo, por outro lado, que a diversificação do mercado
de destino (França 34%, Portugal 30%, Espanha 25% e Alemanha 3%)
permitiu "atenuar" os efeitos. "A partir de Maio, notámos uma
melhoria substancial no ambiente económico. Os stocks europeus destes
produtos estão no nível mais baixo dos últimos três anos, o que levou a
um aumento do preço. No segundo semestre, não sendo os resultados muito
bons, já indicam uma melhoria significativa para o próximo ano",
refere, acrescentando que a menor dependência do mercado espanhol, "que
vai demorar mais tempo a sair da crise, tem-se revelado como factor
importante na recuperação dos níveis de produção anteriores. Em
Viana do Castelo, o grupo emprega directamente mais de 300 pessoas,
número que ultrapassa os 2000, somando Espanha e França. Motivos mais
do que suficientes para José Isidro, na direcção do grupo há 15 anos,
reconhecer que pouco tempo sobra para os seus passatempos favoritos,
ler e ouvir música. O resto do tempo, confessa, é dedicado, além da
empresa, à família. "Mas o negócio em Portugal é a menina dos nossos
olhos", afirma. Ao fim de 33 anos, a Portucel/ Viana aproveitou a
crise internacional para abordar novos mercados e prepara-se para
lançar para o mercado o segundo tipo de produto próprio na área do
papel canelado para embalagem. Depois do histórico papel kraftliner, em
que a fábrica minhota lidera no Sul da Europa, segue-se o novo
vianaliner. A novidade foi anunciada ao DN pelo orgulhoso
espanhol que lidera o grupo Europac, desde 2000 à frente da
Portucel/Viana. "Terá um preço mais reduzido porque incorpora uma maior
quantidade de papel reciclado e de fibra recuperada do que o normal
kraftliner", explica o presidente da empresa. O novo tipo de
papel, a primeira experiência da Portucel/ Viana fora do tradicional
kraftliner, está em desenvolvimento há mais de um ano e destina-se
igualmente ao mercado da embalagem. A apresentação do
vianaliner foi feita em Julho aos clientes, e avança agora a produção.
"Mas ainda não temos uma grande capacidade de produção porque não
podemos descurar os nossos clientes tradicionais do kraftliner",
acrescentou o administrador. Enquanto o kraftliner é destinado ao
mercado da embalagem de produtos alimentares, o vianaliner, explica
José Miguel Isidro, terá a indústria como destino principal, mantendo
características como a "impermeabilidade e resistência" do anterior. "O
vianaliner será um tipo de kraftliner mais destinado à indústria. A nossa ideia é comercializar em breve 75% de kraftliner e 25% de vianaliner, porque temos expectativas muito altas." DN ECONOMIA








